sábado, 5 de setembro de 2009

em busca dos meus passos...

"Internet todo dia
enterrando a poesia
destruindo o que ainda restava de nostalgia
e magia criativa
prende a asa em sua teia
distraindo-se em mensagens bonitas
de gente feia
(...)sem conexão no peito
congelou meu coração
que já não quer rodar direito

restart
começa do zero por outra parte
amemória tem limite
então delete, descarte
desconte
desmonte
desligue, se possível
desconecte sua cabeça
apareça invisível"

Offline - Gabriel, O Pensador

Hoje estou aqui na net, escrevendo pela primeira vez no blog que montei há pelo menos um mês. Por que eu demorei tanto a começar a escrever? Se me inclino para isso há tanto tempo? Possivelmente porque sei que não terei muito tempo para escrever o quanto eu gostaria. Estou trabalhando tanto... É exaustivo e estressante... Ao mesmo tempo em que é recompensador em certos momentos. Ser professor hoje em dia não é ser mais humano...
Mas quando eu ainda era um ser humano era melhor... Eu poderia ter criado esse blog naquele tempo, enquanto poderia encher de ideias e pensamentos, críticas e recados subliminares...
Antes ainda, quando não era acessível o computador, ainda daria para eu escrever bastante, criar poemas, contos, cartas para o etéreo...
Naquele tempo, eu gostava de conversar, assistir TV, desenhar, olhar as pessoas e contemplar as paisagens para memorizá-las a vida inteira – tinha medo de crescer e esquecer, ficava olhando e repetindo o que via para ficar bem gravado – lia o que estava escrito em todos os lugares, especialmente na rua, nos outdoors, muros, postes... E adorava escrever. Escrevia os diálogos nos meus desenhos, escrevia orações pro menino Jesus, treinava o meu nome em diferentes caligrafias, escrevia os nomes bonitos da pessoas, as músicas que gostava, imitava a caligrafia das máquinas de datilografar e escrevia recadinhos para todo mundo e qualquer pessoa.
Até que aos nove anos eu escrevi minha primeira poesia espontânea e a primeira que me recordo. Fruto de um de meus momentos de contemplação.
Ela se chamava “Meus Passos”. Mostrei pra minha colega da escola, Valeska e ela gostou tanto que eu tive que copiá-lo pra ela e pra Carol, outra amiga nossa. E daí a pouco, eu estava fazendo cópias com papel carbono, tantos pedidos que “Meus Passos” já havia conseguido!
Hoje eu não sei mais por onde anda "Meus Passos", mas adoraria saber...
Quem sabe por onde anda(m) o(s) "Meus Passos"?

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