Literatura é vida! E aqui estamos sentindo e compartilhando desse amor... Se você também é apaixonado por língua portuguesa (e outras línguas também), literatura, livros e cultura em geral, siga-nos e nos acompanhe. Prazer!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Doce Pretérito
Olá, pretérito!
Já foi tudo passado a limpo,
mas agora você está aqui dentro de novo...
Mostre-me somente o seu real tamanho,
pois só lhe identifico pelo hálito...
Você me beija a boca
e eu beijo minha primeira namorada
sinto o gosto dessa bala que não vende mais
e acho que vou urinar
Você resolveu ir embora?
E já desapareceu!
Deixou somente ansiedade e excitação.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Centenário de Gonzagão
![]() |
O poeta no violão - é, José de Almeida toca muitos forrós do Rei do Baião! No violão e no pandeiro! |
I
Em doze nasceu Luiz
Gonzaga do Nascimento
Treze está no documento
Foi este o dia feliz
Todo mundo sabe e diz
Que’le foi um rei afamado
E no baião outro reinado
Ainda não apareceu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
II
Foi o segundo nascido
Dos filhos de Januário
Dezembro é aniversário
Do nosso mestre querido
No presente e no passado
E seu fole está guardado
Na sala de um museu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
III
Caiçara é a fazenda
Município de Exu
E na feira em Caruaru
Tem mulher fazendo renda
Esta história não é lenda
É seu berço comprovado
E Pernambuco é o estado
Onde o menino cresceu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
IV
Dona Santana que jáz
Mulher de coragem e brilho
E inteligente demais
Tem muita gente que faz
Mas faz tudo copiado
Se for tocar, toca errado
Músicas que ele escreveu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
V
O Araripe é a serra
Onde seu verso ecoa
E não é fácil outra coroa
Pra qualquer Luiz na terra
Sua carreira se encerra
Porque não fostes clonado
E aquele filho almejado
Por conseguinte morreu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
VI
Gravou o primeiro LP
Com vinte e nove de idade
Mas não teve a liberdade
Pois a mídia e o poder
Já tinham curral fechado
E privou que fosse gravado
Esse dom que Deus lhe deu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
VII
Por ser um filho zeloso
Respeitava Januário
Luiz cresceu no cenário
Mas ele era mais tinhoso
Num oito baixo mimoso
Talvez do século passado
Era oito emparelhado
E olhe aquele cheiro meu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
VIII
Zé Dantas foi seu parceiro
De Carnaíba das Flores
E o rei cantou as cores
Das folhas do juazeiro
Do baião foi o primeiro
![]() |
Parceria de sucesso: Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (da esquerda para a direita). |
Foi quase um super dotado
Na arte que escolheu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
IX
O grande Humberto Teixeira
Foi parceiro de Gonzaga
Que nem jiló, fruta amarga
E Asa Branca é pioneira
Quem quer comida caseira
Baião de dois misturado
E Assum Preto engaiolado
Porque o homem lhe prendeu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
X
Humberto Teixeira fez
E sem erro no português
Zé Dantas cintura fina
Fez o xote da menina
E vem morena está gravado
E o ABC foi decorado
Por todo jovem que leu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XI
Zé Marcolino escrevendo
Fez o fogo sem fuzil
Mas o carão ainda não viu
Que a lagoa está morrendo
Cacimba Nova revendo
O líquido é cristalizado
Tomou chá com queijo assado
Quando a fogueira acendeu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
Numa sala de reboco
Foi Marcolino o autor
Lula o fole gemedor
Tocava em ritmo de coco
Quase maluco é um louco
Victor Simon é chamado
Vamos dividir contado
Um pra tu e dois pra eu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XIII
O grande Nelson Barbalho
Fez a morte do vaqueiro
Luiz tocava ligeiro
Músicas de Luiz Ramalho
Fogo pagou põe no galho
E ainda tem mais arquivado
Tem sabiá e xaxado
Mas Asa Branca venceu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XIV
E meu cachorro trigueiro
Laçou um boi mandingueiro
E dormiu em rede de malha
Selou a burra medalha
Foi pro São João no roçado
Olhou pro céu viu nublado
E naquele ano choveu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XV
Quem escreveu légua tirana
Foi Humberto e Gonzagão
E na véspera de São João
Francisco Reis não se engana
Lorota boa é bacana
O rei também foi soldado
E nem um erro cometeu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XVI
Assis Vicente, pão duro
Nosso irmão é o jumento
Se o cabra tiver talento
Toca forró no escuro
Ô veio macho seguro
Foi Cavalcanti o citado
Teve seu fole roubado
E quem roubou se arrependeu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XVII
![]() |
Cartaz do filme comemorativo pelo Centenário do maior sanfoneiro de Exu-PE. Ainda está em cartaz... |
Foi Patativa, o poeta
Escrevia a rima certa
E foi um exemplo de vida
A vaca estrela querida
E boi fubá muito amado
E Luiz tocou no teclado
O que o poeta lhe deu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XVIII
Luiz tocava sorrindo
Porque gostava da arte
Querido por toda parte
Seu sucesso foi surgindo
Balão pro céu vai subindo
Pelo baião controlado
Tocou a festa do gado
Depois que a ema gemeu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XIX
Não tem disso em Ceará
Fagner cantou com Luiz
E da morena eu quero chá
Se a mula preta empacar
Eu uso o relho malvado
Capim novo é irrigado
E o pasto a mula comeu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XX
Aquele chapéu de couro
E sanfona branca afinada
Fez sua arte ilustrada
Luiz Gonzaga de ouro
Sinhá Marica ouviu o choro
De Benito inconformado
Por não ter tido o reinado
Do samba que lhe escreveu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XXI
Sivuca e Nando Cordel
Elba Ramalho e Gal Costa
E Fagner disse a resposta
Meu amor olha pro céu
Altino não tem chapéu
Mas canta muito afinado
E o navio foi ancorado
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
XXII
Moreninha tentação
No forró de Zé Mané
Olhe não pise em meu pé
Que o coturno é pro São João
No forró de Zé Antão
Danço xote afigurado
Rancheira, polca e xaxado
E quem lava a égua sou eu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
Se foi um grande cantor
Foi triste sua partida
Uma história, uma vida
De quem semeava amor
O seu devido valor
Deve ser bem preservado
Seu filho ta do seu lado
E pertinho do galileu
Luiz Gonzaga nasceu
Pra ser imortalizado
José de Almeida
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Educação de aparências...
Não faz mal meu filho perder o dia aula ou o dia de prova - contanto que ele faça a reposição no dia que ele/eu quiser...
Não faz mal se meu filho não aprender - contanto que passe de ano!
Não faz mal se ele sair do ensino médio sem saber o que quer - contanto que ele tenha uma festa de formatura bem bonita!
Não faz mal se ele não gostar da prova do vestibular - contanto que ele passe pra um curso
Não faz mal se meu filho não aprender - contanto que passe de ano!
Não faz mal se ele sair do ensino médio sem saber o que quer - contanto que ele tenha uma festa de formatura bem bonita!
Não faz mal se ele não gostar da prova do vestibular - contanto que ele passe pra um curso
bem conceituado!
Não faz mal que ele seja um profissional ruim ou irresponsável - contanto que ele tenha um diploma na parede!
Não faz mal que ele seja corrupto - contanto que todo mundo faça também e que ele não seja pego!
Não faz mal que ele responda processos - contanto que ele possa pagar um bom advogado que o livre da prisão...
Não faz mal que ele, no fim das contas, seja preso - contanto que ele fique em uma cela especial e possa usar celular, assistir TV, receber visitas íntimas...
Não faz mal que ele seja um profissional ruim ou irresponsável - contanto que ele tenha um diploma na parede!
Não faz mal que ele seja corrupto - contanto que todo mundo faça também e que ele não seja pego!
Não faz mal que ele responda processos - contanto que ele possa pagar um bom advogado que o livre da prisão...
Não faz mal que ele, no fim das contas, seja preso - contanto que ele fique em uma cela especial e possa usar celular, assistir TV, receber visitas íntimas...
E vamos mantendo as aparências, mentiras, tristezas...
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Não gosto de resistir
Não
gosto de desmarcar textos
Não
gosto de desligar computadores
Não
gosto de guardar revistas
Não
gosto de bater as portas
Perder
as contas
Trancar
as janelas
Guardar
as canetas
Calçar
os sapatos
Não
gosto de despedida ao telefone
Ou
mesmo em carta
Não
gosto de fechar livros
Não
gosto de fechar
Exceto
os olhos
Não
gosto de abrir os olhos
Amadas...
Quando
a primeira filha nasceu, pôs o nome de Teresa e pensou que seus olhos rejuvenesceriam...
Quando
a segunda filha nasceu, quis Gabriel, mas foi Gabriela.
Quando
a terceira filha nasceu, quis um nome de flor.
Foi
quando percebeu que houvera se tornado Jorge.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Familiar Citação
à família Limeira (JP - PB)
guga diante de nara é nada
nara diante de dora é nada
dora diante de outra é nara
guga diante de ouro é douro
outro diante de nada é nada
nara diante de dora é ouro
como o filhote diante da criação
como árvore, o céu e o chão
como o enviado e a missão
guga diante de nara é nada
nara diante de dora é nada
dora diante de outra é nara
guga diante de ouro é douro
outro diante de nada é nada
nara diante de dora é ouro
como o filhote diante da criação
como árvore, o céu e o chão
como o enviado e a missão
como o sim diante do não
é a poesia ante à paixão
é o ouro junto ao irmão
é você, guga, nara e dora
é tudo: nada não
é a poesia ante à paixão
é o ouro junto ao irmão
é você, guga, nara e dora
é tudo: nada não
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
MEL, NÃO!
Numa manhã chuvosa, o rapaz estava indo pra uma reunião da igreja com um amigo. Ao chegar lá, saiu do carro com o guarda-chuva em punho, pôs o braço no ombro do amigo para protegê-lo da chuva e foram pra porta da igreja. Bateram forte e chamaram alto, mas ninguém veio atendê-los. Desconfiaram que estavam no lugar errado...
Antes de ligar pra uma amiga para tirar a dúvida do local, avistou um conhecido dentro de um ônibus fretado e entrou pra perguntá-lo se eles estavam indo pra reunião:
- Oi! Td bom! Vcs não viram os outros não?
- Td mundo já chegou! Entra logo! Cadê as suas malas?
- Td mundo já chegou? - olhou desconfiado pro povo, sem reconhecer ninguém - Mas a Igreja não abriu.. Onde é que vai ser a reunião hein? Pra onde vcs tão indo?
- A gente tá indo pra Brasília, vc não sabia não? Eu faço parte do MEL!
- MEL? -Faz cara de dúvida...
- É! Movimento do Espírito Lilás!
- Não! Eu não sou do MEL não! MEL não! MEL não! - E saiu do ônibus repetindo cada vez mais baixo - MEL não! MEL não...
Ouvindo a risada do amigo, já do lado de fora do ônibus ele liga, finalmente, pra amiga:
- Onde é essa reunião, hein? Já me passei até por gay pra poder encontrar!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Texto de Leyla Perrone-Moisés: Carta a um jovem escritor
Recomendo a leitura para todos aqueles apaixonados pela literatura, não se contentam somente em consumi-la, mas desejam também trabalhar na sua produção...
Carta a um jovem escritor
Prezadíssimo(a) candidato(a) a escritor(a),Você me pergunta se seu texto é bom. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-o a periódicos, compara-o com outros textos e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro editor. Pois bem: usando da licença que me deu de aconselhá-lo(a), envio-lhe algumas instruções. Você está preocupado(a) com o valor de seu texto e isso é atualmente incerto. O "bom" ficou muito relativo.Não há senão um caminho. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morrerá, se não for editado? Desistirá, se jamais ganhar algum prêmio? Isto, acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: "Serei convidado para uma Flip?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquelas perguntas severas por um forte e simples "sim", então construa a sua vida de acordo com aquelas necessidades. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão: seu visual deverá indicá-lo.Aproxime-se, então, dos meios literários. Participe de bate-papos em livrarias, cafés e bares. Inscreva-se em todas as festas literárias, do Oiapoque ao Chuí. Evite as formas já consagradas, pois dá muito trabalho produzir algo pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que não deve ler os escritores do passado. Em vez disso, faça um curso de escrita criativa, para aprender alguns truques. Esqueça a gramática, ela está em desuso.Fuja dos motivos gerais para aqueles que sua própria existência cotidiana lhe oferece: relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, suas manias, e sobretudo sua sexualidade. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é suficientemente escritor para extrair suas riquezas. Ambientes pobres, mesquinhos ou mesmo sórdidos podem ser matéria de textos fortes e engajados.Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre a internet, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de relacionamentos? Pois bem: coloque seu melhor retrato no Facebook, mantenha um blog e não se esqueça de compor textos de até 140 toques para o Twitter.Se você ainda acredita no livro de papel e nenhuma editora quiser publicá-lo, faça-o você mesmo. Com um bom equipamento, qualquer um, hoje em dia, pode fabricar livros em casa. Quando o livro estiver pronto, envie-o aos jurados dos prêmios com uma dedicatória adulativa. Contrate um agente literário. Se ele for eficiente, você será traduzido para o servo-croata antes mesmo de ser lido em português.
Caso nada disso der certo, aceite o destino e carregue-o com o seu peso: assuma-se como escritor(a) maldito(a). Mude então o visual: mais escuro e descabelado.Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, você ter de renunciar a ser escritor(a). Mesmo assim, seus esforços não terão sido inúteis. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que eles o(a) levem à fama e a uma boa remuneração, é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.Com todo o devotamento e toda a simpatia,Um(a) crítico(a) literário(a)
LEYLA PERRONE-MOISÉS
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